A sua causa é desconhecida mas, parece existir uma predisposição genética e uma resposta imunitária exagerada a um estimulo inflamatório ou infeccioso. Os fumadores têm risco aumentado de desenvolver doença.

A prevalência estimada em Portugal é de 73 por 100 000 habitantes. Atinge maioritariamente mulheres, e tem um pico de incidência entre 17 anos e 39 anos. A doença é crónica e pode evoluir por surtos

O processo inflamatório pode atingir qualquer parte do tubo digestivo mas, as localizações preferenciais são a parte terminal do intestino delgado e o intestino grosso. A inflamação pode atingir toda a espessura da parede intestinal e provocar úlceras (feridas).

Os sintomas mais frequentes são a dor abdominal, a diarreia que pode conter sangue, e a perda de peso. Sintomas não relacionados com o tubo digestivo, como dores em articulações e lesões de pele, também podem ocorrer. Outras manifestações precoces da doença de Crohn são lesões na região perianal, incluindo, fissuras, fístulas (aberturas anormais do intestino na superfície da pele, perto do ânus) e abcessos.

O diagnóstico é feito pela combinação da clínica com exames laboratoriais, imagiológicos e endoscópicos.

Não existe cura definitiva mas os tratamentos actuais permitem controlar os sintomas.

O tratamento varia de acordo com a gravidade da doença, com a existência de complicações (obstruções, estenoses/ diminuição calibre intestino, fistulas, entre outras) e manifestações extra-intestinais.

A terapêutica médica na doença ligeira baseia-se na utilização de mesalazina , a que se associam corticoides nas fases agudas. Na doença moderada a grave, e na doença complicada com fistulas, utilizam-se medicamentos imunossupressores (azatioprina e metrotexato) e/ou terapêutica biológica (infliximab e adalimumab).

Os medicamentos biológicos são complexos macromoleculares purificados a partir de substâncias biológicas (humanas, animais, plantas ou micro-organismos) recorrendo a técnicas de engenharia genética ou síntese química. Contrariamente aos fármacos convencionais, os medicamentos biológicos são moléculas que reproduzem as existentes no organismo humano. O racional para a sua utilização baseia-se na capacidade de inibirem a actividade imunológica identificada em algumas patologias, com regularização das alterações presentes na inflamação crónica.

A cirurgia é necessária quando não há resposta ao tratamento médico ou em caso de complicações.

Este conteúdo é meramente informativo, sendo os profissionais de saúde quem melhor podem responder a todas as suas questões sobre esta doença.