O VHC continua a ser uma epidemia de saúde pública global.


Estima-se que, atualmente, existam cerca de 200 milhões de pessoas (3% da população mundial) infetadas pelo VHC em todo o mundo. Em Portugal estima-se que entre 1 a 1,5% da população (150.000 indivíduos) seja portadora do vírus e que apenas 20 a 25 mil estejam diagnosticados.

A hepatite C é uma doença infeciosa causada pelo vírus VHC que afeta sobretudo o fígado.

A hepatite C transmite-se pelo contacto com sangue infetado pelo VHC. Pode, assim, ser contraída pela partilha de agulhas e de objetos cortantes contaminados; realização de tatuagens, piercings, acupuntura e manicure com material não esterilizado; realização de transfusão sanguínea (antes de 1992); menos frequentemente (0,4 a 3%), por relações sexuais não protegidas; e, raramente, por transmissão vertical de mãe para recém-nascido. A alteração de comportamentos de risco é fundamental para a prevenção da contaminação pelo VHC, uma vez que não existe vacina para a hepatite C.

A hepatite C é uma doença “silenciosa”, que pode manter-se assintomática por muitos anos. A maioria das pessoas com hepatite C (85%) não elimina completamente o vírus do organismo, e desenvolve hepatite C crónica (HCC) que poderá evoluir para cirrose, insuficiência hepática ou cancro do fígado. Normalmente os primeiros sintomas surgem nestes estádios avançados da doença. Por esse motivo, o diagnóstico precoce, através de análises sanguíneas, é fundamental para a deteção rápida da doença e o estabelecimento de um tratamento adequado, que pode, em muitos casos, garantir a cura e evitar as complicações de longo prazo.

O tratamento para a hepatite C tem por objetivo eliminar o VHC e melhorar a história natural da doença, reduzindo a evolução para cirrose e cancro do fígado. A cura (resposta virológica mantida) é considerada quando o vírus está indetetável, pelo menos, 6 meses após o final do tratamento.
Em 1991, foi introduzida a primeira terapêutica para o VHC, interferão alfa-2b. Em 1997, o primeiro regime de combinação, o interferão alfa-2b + ribavirina. Em 2011, surgiram os primeiros antivíricos de ação direta contra o VHC, que marcaram um avanço decisivo na eficácia do tratamento para o VHC.
Existem atualmente novas terapêuticas aprovadas para a hepatite C que resolvem mais de 90% das infeções. Mas, enquanto os fármacos mais recentemente aprovados têm demonstrado de modo geral uma elevada eficácia, existem ainda grupos de doentes com baixas taxas de resposta e com necessidades médicas não atendidas, como as falências ao tratamento prévio, assim como aqueles que vivem em condições de comorbilidade, incluindo a infeção pelo VIH, doença renal crónica e indivíduos em terapia de substituição de opiáceos.
Este conteúdo é meramente informativo, sendo os profissionais de saúde quem melhor podem responder a todas as suas questões sobre esta doença.