O cancro resulta do crescimento rápido e divisão desregulada de células do corpo, que infiltram e destroem os tecidos e órgãos saudáveis. Segundo a OMS, o cancro figura entre as principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, afetando milhões de pessoas. Quando diagnosticado precocemente, as taxas de cura são bastante elevadas.

oncologia_pds

O cancro surge da combinação de fatores genéticos com outros fatores de risco como tabaco, álcool, envelhecimento e radiação UV. Os sintomas variam de acordo com o tipo de cancro e um diagnóstico precoce é essencial para obter sucesso na cura da doença. Atualmente, existem diversos tratamentos para o cancro como a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. A MSD tem como objetivo investigar, desenvolver e disponibilizar tratamentos inovadores, eficazes e seguros aos doentes, para melhorar a sua qualidade de vida e alcançar a cura da doença.


Cancro

O termo “cancro” refere-se a um conjunto de doenças que se caracterizam pelo crescimento desregulado de células com capacidade de se dividir de forma descontrolada e de se infiltrar e destruir tecidos normais do corpo.1

Diariamente, são produzidas pelo organismo milhões de células novas para substituir as células envelhecidas ou danificadas dos tecidos do corpo. No interior das células existe um núcleo que contém uma estrutura designada de DNA que codifica toda a informação genética da célula e controla as suas acções. Quando o DNA é lesado, o organismo tem capacidade de o reparar ou destruir a célula; porém, se este processo de reparação não acontecer, a célula sobrevive e começa a dividir-se de forma descontrolada originando novas células anómalas. A acumulação destas células origina um tumor.1

Os tumores podem ser classificados em tumores benignos, que geralmente crescem mais lentamente e não invadem outros tecidos; ou tumores malignos, constituídos por células agressivas que se dividem rapidamente e invadem tecidos próximos.

Uma vez que os tumores malignos crescem de forma mais descontrolada, algumas células cancerígenas podem desprender-se e viajar para locais distantes no corpo através do sangue ou sistema linfático e formar novos tumores muito longe do tumor original. Este processo designa-se de metastização. Quando o cancro metastiza, o novo tumor tem o mesmo tipo de células que o tumor original. Por exemplo, no caso do cancro do pulmão se disseminar para os ossos, as células cancerígenas que afetam os ossos serão células procedentes do pulmão. Neste caso, a doença não recebe o nome de cancro dos ossos mas sim “cancro do pulmão metastático”. 1,2

O cancro é causado por alterações e/ou danos no DNA das células – mutações genéticas. Estas mutações podem ser causadas por muitos fatores, desde fatores genéticos, ambientais ou, o mais comum, a combinação de ambos. Alguns destes fatores de risco podem ser evitados, diminuindo a probabilidade de desenvolver a doença; porém, outros, como a história familiar, não podem ser evitados e por isso é importante referir ao médico a existência de casos de cancro na família.3

Alguns fatores de risco para aparecimento de cancro são:

  • Envelhecimento: a maioria dos cancros acontece depois dos 65 anos, porém podem aparecer em pessoas mais jovens e crianças.4
  • Exposição contínua a substâncias químicas ou tóxicas como amianto, benzeno, níquel, etc…5
  • Tabaco: o contacto regular com o fumo do tabaco, seja como fumador activo ou passivo, aumenta o risco de aparecimento de certos tipos de cancro.5
  • Álcool: consumo exagerado de bebidas alcoólicas aumenta o risco de desenvolvimento de cancro da boca, garganta, esófago ou fígado.
  • Radiação ionizante: o contacto regular e desprotegido com substâncias como urânio, raios-X ou radiação alfa, beta e gama aumenta o risco de cancro, especialmente leucemia e cancros da tiróide, mama, pulmão e estômago.5
  • Radiação ultravioleta: a exposição continuada e desprotegida à luz solar ou câmaras de bronzeamento provoca o envelhecimento e alterações nas células da pele, aumentando o risco de cancro da pele.
  • Agentes patogénicos: alguns vírus como HPV-Vírus do Papiloma Humano, EBV – Vírus Epstein-Barr, Vírus da Hepatite B e C ou HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana, assim como alguma bactérias como a Helicobacter pylori aumentam risco de aparecimento de certos tipos de cancro.4,5

Alguns cancros, como o cancro colo-rectal, mama ou ovário, estão associados a fatores genéticos, geralmente hereditários. No entanto, para que ocorra o desenvolvimento destas patologias, é necessária a conjugação dos fatores genéticos com alguns fatores de risco.

Existem vários tipo de cancro, sendo a sua designação dependente da localização, como “cancro de pulmão”, ou pelo tipo de células que afetam, como ”Carcinoma de Pulmão de Não Pequenas Células”. Esta classificação pelo tipo de célula pode dividir-se nos seguintes tipos de cancro:

Carcinoma1,2

São o tipo de cancro mais comum. São formados por células epiteliais, um tipo de células que reveste algumas superfícies do corpo como a pele, pulmão, pâncreas ou colón. Os carcinomas podem ter início em diferentes tipos de células epiteliais que apresentam nomes específicos:

  • Carcinoma de células escamosas: forma-se nas células escamosas, que se encontram logo abaixo da superfície exterior da pele e revestem também muitos outros órgãos como estômago, intestino, pulmões ou bexiga.
  • Adenocarcinoma: forma-se em células do tecido glandular que produzem fluidos ou muco, estando presentes em órgãos como próstata ou mama.
  • Carcinoma basocelular: tem início na camada inferior ou basal da epiderme.
  • Carcinoma de células uroteliais: muito comum no cancro da bexiga, ureteres ou rim e é constituído por células que revestem o interior destes órgãos.
Sarcoma2

Cancro que tem início no osso, cartilagem, tecido muscular, vasos sanguíneos ou tecido fibroso como tendões ou ligamentos.

Linfoma e mieloma múltiplo1

O linfoma é um tipo de cancro que afecta os linfócitos B ou T, isto é, células presentes no sangue e que fazem parte do sistema imunitário, tendo a função de combater as doenças.

No mieloma múltiplo as células afectadas são as células do plasma que se acumulam na medula óssea e formam tumores ósseos.

Leucemia2

Este cancro afeta a medula óssea, o local de formação das células do sangue. Nestes casos, um grande número de células brancas anómalas acumulam-se no sangue e na medula óssea, tornando mais difícil o combate a infecções.

Melanoma1

O melanoma é um tipo de tumor que tem início nos melanócitos, que são umas células especializadas da pele responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele. Estas células estão presentes principalmente na pele, mas também existem no olho.

Tumores do cérebro e medula espinhal1

Existem diferentes tipos de cancro do cérebro e medula espinhal e a sua designação é baseada no tipo de célula lesada, por exemplo, um astrocitoma é um tumor que afeta células presentes no cérebro designadas por astrócitos.

Outros tipos de cancro podem ser tumores de células germinativas, presentes nos ovários ou testículos, tumores neuroendócrinos ou tumores carcinóides (subtipo de tumores neuroendócrinos).

O diagnóstico do cancro, numa primeira fase, é efetuado com base nos sinais e sintomas apresentados pelo doente, história familiar e exame físico realizado pelo médico. Havendo suspeita de presença de um tumor, o médico poderá pedir um conjunto de exames que ajudarão a confirmar o tipo de tumor que o doente apresenta, a sua localização e estadio.6,7

Um dos primeiros exames realizados são as análises clínicas, como análises ao sangue, urina, fezes ou outros fluidos corporais. Estas análises são importantes no diagnóstico porque permitem detetar níveis elevados ou baixos de certas substâncias no sangue ou marcadores tumorais. No entanto, este exame isolado não diagnostica a doença, sendo necessário recorrer a outros exames de diagnóstico.7

Para a detecção do local onde se encontra o tumor, o médico pode recorrer a exames de imagiologia que permitem obter imagens de determinadas áreas do corpo bem como das estruturas presentes. Alguns desses exames são o raio-x, TAC, ecografia, ressonância magnética ou PET – Tomografia com emissão de positrões.6

Quando detectada a localização do tumor, o médico pode solicitar uma biópsia para identificar o tipo de cancro. Para tal, o médico remove uma amostra de tecido suspeito e envia para um laboratório para que seja analisado o tipo de células que constitui o tumor e em que estadio se encontra.7

O tratamento para o cancro deve ser prescrito com base no tipo de cancro, na extensão da doença, e deve ser discutido entre o médico e o doente para que todas as questões e dúvidas sejam esclarecidas. Normalmente, o tratamento começa poucas semanas após o diagnóstico do cancro e pode ser ajustado consoante a evolução da doença.8

Os principais tratamentos para o cancro, incluem a remoção cirúrgica, sempre que indicado, a radioterapia, quimioterapia e imunoterapia.8

Na quimioterapia há administração de medicamentos, sob a forma de injeções ou comprimidos, destinados a destruir as células afectadas e/ou impedir o aparecimento de novas células cancerígenas, lesando o menos possível as células sãs. Este tipo de tratamento apresenta alguns efeitos secundários indesejados como, por exemplo: enjoo, vómitos, falta de força, cansaço fácil, queda de cabelo, anemia, infecções, etc.

A radioterapia permite destruir as células que se dividem rapidamente através da sua exposição a radiação ionizante que pode ser administrada por uma fonte externa ou interna (braquiterapia) de radiação. Este tratamento tem alguns efeitos colaterais como irritação da pele na região tratada, náuseas, fadiga, etc.

A imunoterapia é uma outra forma de tratamento que ajuda o sistema imunitário do doente a combater o cancro. Neste tratamento são administrados agentes biológicos que vão destruir os tumores ou actuar nas células do sistema imunitário, aumentando a sua acção no combate e destruição do cancro. Este tipo de tratamento tem alguns efeitos secundários como, por exemplo: reacções alérgicas, febre e fadiga.

Actualmente, existem inúmeros medicamentos capazes de impedir ou diminuir estes efeitos colaterais. O melhor controlo dos efeitos secundários associados aos tratamentos, é um dos marcos importantes na evolução terapêutica dos tumores ao tornar possível uma melhor qualidade de vida, mesmo em situações de tratamentos agressivos ou doença muito avançada.

  1. What is cancer?. National Cancer Institute. Última actualização a 9/02/2015. Consultado em 09/04/2015.
    Disponível em: http://www.cancer.gov/cancertopics/what-is-cancer
  2. What is cancer? MedicineNet.com. Consultado em 09/04/2015.
    Disponível em: http://www.medicinenet.com/cancer/page2.htm#what_is_cancer
  3. Cancer Causes. Mayo Clinic. Consultado em 09/04/2015.
    Disponível em: http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/cancer/basics/causes/con-20032378
  4. Cancer Risk factors. Mayo Clinic. Consultado em 09/04/2015.
    Disponível em: http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/cancer/basics/risk-factors/con-20032378
  5. Cancer Symptoms, Causes, Treatment – What causes cancer? MedicineNet.com. Consultado em 09/04/2015.
    Disponível em: http://www.medicinenet.com/cancer/page3.htm#what_causes_cancer
  6. Cancer Symptoms, Causes, Treatment – How is cancer diagnosed? MedicineNet.com. Consultado em 10/04/2015.
    Disponível em: http://www.medicinenet.com/cancer/page6.htm#how_is_cancer_diagnosed
  7. How Cancer is Diagnosed. National Cancer Institute. Última actualização a 9/03/2015. Consultado em 10/04/2015.
    Disponível em: http://www.cancer.gov/cancertopics/diagnosis-staging/diagnosis
  8. Cancer Symptoms, Causes, Treatment – What is the treatment for cancer? MedicineNet.com. Consultado em 10/04/2015.
    Disponível em: http://www.medicinenet.com/cancer/page8.htm#what_is_the_treatment_for_cancer