O melanoma é um tipo de cancro da pele com origem nos melanócitos, as células que produzem a melanina, o pigmento que dá à pele a sua cor natural. Para compreender o desenvolvimento do melanoma, é necessário conhecer a anatomia e função da pele, local principal onde se desenvolve este tipo de cancro.


A Pele

A pele é o maior e mais acessível órgão do corpo, com uma área de superfície entre os 1.5m2 – 2.0 m2. A sua função é cobrir o corpo e protege-lo de lesões, infeções e da luz ultravioleta (UV). Contém uma variedade de terminações nervosas que reagem ao calor e frio, toque, pressão, vibração e lesões do tecido, contribuindo para o equilíbrio (homeostasia) do organismo. É o principal centro de armazenamento de gordura e água, assim como local de síntese de vitamina D por ação da UV. Adicionalmente, tem um papel importante na excreção de resíduos através do suor e sebo.

A pele tem 3 camadas:

  • Epiderme: é a camada mais superficial da pele. É composta por queratinócitos, células que produzem queratina, uma proteína resistente e impermeável responsável pela proteção; e melanócitos, células produtoras de melanina, um pigmento castanho que absorve os raios UV e dá cor à pele. Possui também células do sistema imunitário chamadas de células de Langerhans.
  • Derme: camada inferior da pele que sustenta a epiderme. A derme é subdividida em duas camadas: a camada papilar em contacto com a epiderme e a camada reticular. É na derme que se localizam os vasos sanguíneos que fornecem nutrientes à epiderme, vasos linfáticos e também os nervos, glândulas sudoríparas e sebáceas e os folículos pilosos (raiz dos pelos).
  • Tecido subcutâneo (ou hipoderme): é uma camada gordurosa que se localiza abaixo da derme e que permite isolar o corpo do calor e frio, absorve os choques e armazena gordura como reserva de energia.

O melanoma é o um cancro de pele e resulta de alterações no crescimento e divisão dos melanócitos, fazendo com que estes se tornem malignos. Este tipo de cancro manifesta-se sobretudo na pele (melanoma cutâneo), mas pode surgir mais raramente noutros locais como olhos (melanoma ocular) s meninges, aparelho digestivo ou noutras áreas onde há melanócitos.

O melanoma nos homens, desenvolve-se principalmente no tronco, cabeça e pescoço, enquanto nas mulheres na zona das pernas.

A incidência de melanoma tem vindo a aumentar globalmente de forma rápida e consistente ao longo das últimas quatro décadas. Atinge principalmente as populações de pele clara.

Em Portugal, segundo os dados mais recentes do Registo Oncológico Nacional relativos a 2006, publicados em 2013, a taxa de incidência do melanoma, padronizada para a idade, é de 5.3/100.000 habitantes nos homens e 5.9 nas mulheres, com maior prevalência a partir da sexta década de vida.

Nas fases mais avançadas da doença, o melanoma pode-se espalhar para outras partes do organismo como gânglios linfáticos, fígado, pulmões e cérebro. Como as células do “novo cancro” são células de melanoma, a doença é designada como melanoma metastizado.

As causas exatas para o aparecimento do melanoma não estão totalmente estabelecidas e compreendidas. No entanto, nos últimos anos, têm havido importantes avanços no reconhecimento de fatores de risco para melanoma e identificação de indivíduos portadores destes fatores para prevenção da doença.

Os principais fatores de risco são:

  • Exposição solar e radiação ultravioleta (UV) : a exposição à radiação UV é um fator crítico no desenvolvimento de muitos melanomas. O risco de aparecimento de melanoma está relacionado com o padrão e duração de exposição solar. O uso de solários, com exposição à luz UV artificial, também contribui para formação de melanoma. Queimaduras solares, principalmente em crianças ou adolescência, aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de melanoma.
  • Tipo de pele: alguns tipos de pele são mais sensíveis à radiação UV, por exemplo, as peles claras e pessoas com olhos claros. As pessoas que correm mais riscos são as pessoas ruivas com sardas.
  • Sinais: os sinais, conhecidos clinicamente como nevos, resultam de acumulação de melanócitos à superfície da pele. O número elevado de nevos no corpo e com sinais de atipia (assimetria, mudança de cor, bordas irregulares e aumento de tamanho) aumentam o risco de desenvolver melanoma.
  • Idade: o risco de melanoma aumenta com a idade. No entanto, é dos cancros mais comuns em pessoas com idade inferior a 30 anos.
  • Fatores Genéticos: há mutações genéticas que podem predispor para o desenvolvimento do melanoma, como CDKN2A, BRAF ou PTEN/MMAC.
  • História Familiar: cerca de 10% dos doentes com melanoma têm história familiar da doença.

As pessoas com fatores de risco para desenvolvimento de melanoma devem fazer exame regular à sua pele e aos nevos que possa ter no corpo, assim como evitar comportamentos de risco como exposição solar nas horas de maior calor (em Portugal, entre as 11h e 17h).

Muitas vezes, o melanoma desenvolve-se a partir de sinais já existentes no corpo, pelo que alterações no tamanho, forma, cor ou textura são os primeiros sinais de possível lesão. Uma forma de avaliar se existe alguma alteração num sinal é a utilização da ferramenta “ABCDE”:

  • A – Assimetria: uma metade do sinal é diferente da outra.
  • B – Bordos: margens irregulares, onduladas ou mal definidas.
  • C – Cor: variação de cor de uma região para outra; pode apresentar tons de café, negro, por vezes branco, vermelho ou azul.
  • D – Diâmetro: existe alteração do tamanho e o diâmetro é superior a 6 mm.
  • E – Evolução: a lesão tem um aspeto diferente dos outros sinais ou alteração das dimensões, forma ou cor da lesão.

Muitos melanomas apresentam todas as características “ABCDE”, no entanto alguns podem apresentar uma ou duas alterações.

Outros sintomas que surgem quando se desenvolve um melanoma é aparecimento de pequenas crostas e/ou comichão num sinal já existentes ou, em fases avançadas, o sinal tornar-se duro, exsudar ou sangrar.

Uma pessoa que já tenha tido melanoma, tem risco aumentado de voltar a ter melanoma.

O diagnóstico do melanoma começa com o exame físico da mancha ou sinal suspeito feito pelo médico,”. O médico vai também colocar ainda uma série de questões sobre possíveis fatores de risco e evolução do sinal suspeito.

Pode também recorrer aa dermatoscopia. Este método permite a visualização de estruturas da pele não acessíveis à vista desarmada, auxiliando na diferenciação entre lesões benignas ou malignas.

No caso de suspeita de malignidade de um sinal, será feita uma biópsia para remover tumor e tecido normal à volta. O material recolhido na biópsia é analisado por um patologista que identifica qual o tipo de a lesão suspeita.

Caso se confirme malignidade, deve ser feito o estadiamento da doença para ajudar na escolha do tratamento:

  • Estádio 1 – 2: Melanoma não se disseminou para além da sua localização primária. Diz-se que está localizado.
  • Estádio 3: Melanoma disseminou-se para os gânglios linfáticos perto da localização primária.
  • Estádio 4: Melanoma disseminou-se para outras partes do corpo.

Caso não seja possível eliminar totalmente o tumor ou metáteses através da cirurgia. outros tratamentos como radioterapia ou quimioterapia local, podem ajudar a eliminar as células cancerígenas que ainda restam a nível local.

Nas fases mais avançadas de doença, como o melanoma de estádio IV, existem opções de tratamento diferentes dependendo do número de metástases e presença ou ausência de mutação BRAF. Caso exista esta mutação, podem ser administrados fármacos que vão inibir este gene de forma a prolongar a vida dos doentes.

Pode também ser usada quimioterapia, com fármacos que têm como objetivo matar ou travar o crescimento das células cancerígenas, lesando o menos possível as células saudáveis.

Recentemente foram ainda desenvolvidos tratamentos com anticorpos, substâncias que ativam as células do sistema imunitário para reconhecer e atacar as células cancerígenas. Este tipo de tratamento, conhecido como imunoterapia, é usado para tratar o cancro, ou controlar a progressão da doença, aumentando a qualidade de vidas dos doentes.

A cirurgia para remoção da lesão maligna é o principal tratamento para a maioria dos doentes, sendo o único tratamento de que necessitam os doentes com melanomas em estádio 0 ou I, e a maioria dos que apresentam estádio II.

Adicionalmente, caso o melanoma se tenha propagado para os gânglios linfáticos, os mesmos devem ser removidos. Por vezes é necessário m procedimento designado de biópsia do gânglio linfático sentinela durante a cirurgia de remoção para avaliar se há envolvimento de gânglios.

Após cirurgia, pode ser indicada terapêutica adjuvante após a cirurgia para ajudar na eliminação de possíveis células malignas que ainda persistam no organismo. Atualmente, o tratamento disponível é o interferão alfa sintético que é injetado no corpo com o objetivo de aumentar a resposta imunitária contra as células tumorais.

Caso não seja possível eliminar totalmente o tumor ou metáteses através da cirurgia. outros tratamentos como radioterapia ou quimioterapia local, podem ajudar a eliminar as células cancerígenas que ainda restam a nível local.

Nas fases mais avançadas de doença, como o melanoma de estádio IV, existem opções de tratamento diferentes dependendo do número de metástases e presença ou ausência de mutação BRAF. Caso exista esta mutação, podem ser administrados fármacos que vão inibir este gene de forma a prolongar a vida dos doentes.

Pode também ser usada quimioterapia, com fármacos que têm como objetivo matar ou travar o crescimento das células cancerígenas, lesando o menos possível as células saudáveis.

Recentemente foram ainda desenvolvidos tratamentos com anticorpos, substâncias que ativam as células do sistema imunitário para reconhecer e atacar as células cancerígenas. Este tipo de tratamento, conhecido como imunoterapia, é usado para tratar o cancro, ou controlar a progressão da doença, aumentando a qualidade de vidas dos doentes.