A artrite reumatoide é mais comum do que se pensa!


ARTRITE REUMATOIDE

A prevalência da doença em Portugal é de 0,7% (75% dos quais são mulheres). Quando não tratada precocemente, a artrite reumatoide pode trazer graves consequências para os doentes, traduzidas em incapacidade funcional e redução na qualidade de vida.

A artrite reumatoide afeta um tecido que se encontra nas articulações, denominada membrana sinovial. A artrite reumatoide caracteriza-se pela inflamação da membrana sinovial que aumenta de espessura e, com o tempo, destrói os outros tecidos envolventes da articulação. A inflamação da membrana sinovial e a destruição articular que a pode acompanhar podem provocar dor e deformidades articulares que podem tornar-se irreversíveis. À medida que a doença vai progredindo, a dor, a destruição articular e a perda de movimentos diminuem a capacidade funcional e comprometem a qualidade de vida.

A artrite reumatoide pode afetar os dois sexos, embora a grande maioria das pessoas afetadas sejam mulheres (cerca de 75%). Os dados do último estudo epidemiológico realizado (Epireuma.pt) apontam para uma prevalência de 0,7% de artrite reumatoide na população Portuguesa. Não se conhece a causa exata da doença mas julga-se que uma interação entre fatores ambientais (tais como infeções virais ou tabagismo) e fatores genéticos influenciam o desenvolvimento da resposta inflamatória autoimune subjacente à artrite reumatoide.

A artrite reumatoide pode apresentar-se de diversas formas. Pode ser monoarticular (se envolver apenas uma articulação), oligoarticular (envolvendo duas ou três articulações) ou poliarticular (se envolver mais do que três). Além disso, pode ser simétrica (a forma mais comum, que envolve articulações de ambos os lados do corpo) ou assimétrica. Por vezes, a inflamação pode atingir o revestimento dos pulmões (causando pleurite), do coração (causando pericardite) ou dos vasos (vasculite). O quadro clínico mais comum de aparecimento da artrite reumatoide é dor progressiva, rigidez matinal de longa duração (por vezes a manhã inteira) e tumefação das pequenas articulações das mãos e dos pés. Contudo, também podem ser afetadas em primeiro lugar as grandes articulações, como as ancas. Com a progressão da doença poderão ser envolvidas outras articulações (p.e. ombros, cotovelos, joelhos, coluna cervical) e, se o diagnóstico e tratamento da artrite reumatoide não forem atempados (idealmente nos 3 meses desde o aparecimento dos sintomas), aumenta a probabilidade de erosões ósseas e incapacidade funcional.

O correto diagnóstico de artrite reumatoide é fundamental pois vai permitir definir o tratamento mais adequado para cada doente.

O diagnóstico da artrite reumatoide é feito com base: nos sintomas relatados pelo doente, no exame objetivo, efetuado pelo médico, nos exames imagiológicos e através de testes laboratoriais.

No exame objetivo o médico averigua, entre vários aspetos, a presença de rigidez matinal (dificuldade de movimentação ao acordar), faz o levantamento do número e localização das articulações dolorosas e inchadas (nomeadamente mãos e punhos) e analisa a simetria (envolvimento bilateral) destas articulações.

As radiografias ou raio-X são usados para ver se já existe uma alteração importante nas articulações numa fase mais avançada da doença. O reumatologista poderá solicitar outros exames complementares, tais como: cintigrafia óssea, ultrassonografia, TAC ou RMN.

As análises laboratoriais ajudam a completar o diagnóstico: a presença de anticorpos, como o fator reumatoide, ou os anti-CCP, assim como níveis elevados de velocidade de sedimentação ou de proteína C reativa (PCR) também elevados, juntamente com os achados clínicos, auxiliam num possível diagnóstico de Artrite Reumatoide.

A terapêutica da artrite reumatoide inclui medicamentos que diminuem a dor e a inflamação, nomeadamente os anti-inflamatórios não-esteroides (AINE) e inibidores da cicloxigenase 2 (COX-2), mas também os corticosteroides ou glucocorticoides (ex. prednisolona) que aliviam a dor e a inflamação articulares e que, quando utilizados precocemente, também podem reduzir as erosões. É importante destacar que no tratamento da artrite reumatoide, são os fármacos que modificam o curso da doença (fármacos modificadores da doença – DMARD), nomeadamente:

– DMARD convencionais:

Contribuem para o controlo da inflamação e prevenção das lesões articulares e da cartilagem e podem proporcionar uma melhoria significativa da qualidade de vida em muitos doentes. O fármaco principal deste grupo é o metotrexato, que é administrado semanalmente.

– DMARD biotecnológicos:

São os fármacos mais recentes e dirigem-se contra alvos específicos da cascata da inflamação (TNF-alfa, IL-1, IL6). Os DMARD biotecnológicos são utilizados quando a resposta aos DMARD convencionais é insuficiente. Nos ensaios clínicos demonstrou-se que os DMARD biotecnológicos podem ser muito eficazes e, quando administrados precocemente, previnem o aparecimento das lesões articulares.

Estes medicamentos biotecnológicos são complexos macromoleculares purificados a partir de substâncias biológicas (humanas, animais, plantas ou microrganismos) recorrendo a técnicas de engenharia genética ou síntese química. O racional para a sua utilização baseia-se na capacidade de inibirem a atividade imunológica identificada em algumas patologias com regularização das alterações presentes na inflamação crónica.

 

Este conteúdo é meramente informativo, sendo o reumatologista, quem melhor pode responder a todas as suas questões sobre esta doença.