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ESPONDILARTRITES

A prevalência das espondilartrites em Portugal é de 1,6% (75% dos doentes são homens). O diagnóstico e tratamento precoce são determinantes no combate a estas doenças.

Espondilartrites são um grupo de doenças inflamatórias reumáticas crónicas que podem envolver o esqueleto axial (coluna vertebral e articulações sacroilíacas) ou as articulações periféricas. Fazem parte deste grupo de doenças a espondilartrite axial e a espondilite anquilosante (estadio avançado da anterior), que podem ter manifestações extra articulares, por exemplo dérmicas (caso da artrite psoriática) e no intestino (artrite associada à doença inflamatória intestinal).

As espondilartrites caracterizam-se por envolverem preferencialmente o esqueleto axial (coluna vertebral e articulações sacroilíacas), mas também podem envolver as articulações periféricas. Normalmente as espondilartrites atingem poucas articulações (menos de 4), de forma assimétrica e predominantemente dos membros inferiores. Os doentes com espondilartrites podem ainda apresentar inflamação nos locais de inserção dos ligamentos e tendões nos ossos (entesite), dos dedos (dactilite), do olho (uveíte anterior aguda) e psoríase ou doença inflamatória do intestino. O último estudo epidemiológico realizado em Portugal (Epireuma.pt) aponta para uma prevalência da espondilartrites de 1,6% na população portuguesa.

A espondilartrite axial é uma doença em que predomina o envolvimento do esqueleto axial, sem sacroiliíte definitiva nos raios X (forma não-radiográfica).

A espondilite anquilosante é considerada um estadio avançado de espondilartrite axial. A taxa de progressão da forma não-radiográfica para a forma radiográfica (i.e. espondilite anquilosante) é aproximadamente de 12% por cada 2 anos, embora existam doentes que permanecem no estadio não radiográfico durante toda a evolução da doença.

A espondilite anquilosante inicia-se habitualmente na segunda ou terceira década de vida e afeta predominantemente os homens (75% dos doentes são homens). Um outro fator de risco é a existência de história familiar de espondilartrite (i.e. espondilite anquilosante, artrite psoriática, espondilartrite associada a doença inflamatória intestinal).

O sintoma clínico principal, e muito prevalente, da espondilartrite axial é a raquialgia (dor localizada na coluna com ou sem irradiação aos membros). Cerca de 5% dos doentes que consultam o médico de família com raquialgia crónica tem espondilartrite axial.

A raquialgia da espondilartrite tem características inflamatórias: raquialgia crónica (duração superior a 3 meses); início insidioso, habitualmente antes dos 45 anos de idade; pico de intensidade na segunda metade da noite e primeiras horas da manhã; acompanhada de rigidez matinal prolongada (superior a 30 minutos) e melhoria com o exercício, não melhorando ou mesmo agravando com o repouso.

Mais de 80% dos doentes com espondilite anquilosante e mais de 70% dos doentes com espondilartrite axial têm um teste de deteção do HLA-B27 positivo (comparativamente a 8% da população em geral). No entanto, a espondilite anquilosante apenas se desenvolve em aproximadamente 5% dos doentes positivos para o HLA-B27.

Na abordagem terapêutica, é fundamental o exercício físico adequado (nomeadamente natação em piscina aquecida) e os AINE. Os AINE, incluindo os inibidores da cicloxigenase-2, são a terapêutica de primeira linha para o controlo da dor e rigidez articular, recomendando-se o tratamento continuado nos doentes com doença persistentemente ativa.

Os medicamentos modificadores da atividade da doença (DMARD) como a sulfassalazina e o metotrexato têm demonstrado eficácia no tratamento da artrite periférica e das manifestações extra-articulares (psoríase, uveíte, doença inflamatória intestinal). Os antagonistas do TNF estão recomendados em indivíduos que mantêm elevada atividade da doença após falência da terapêutica convencional. Tal como na artrite reumatoide, os fármacos biotecnológicos são muito eficazes na espondilite anquilosante, artrite psoriática e espondilartrite axial não-radiográfica, e conseguem aliviar rapidamente a dor, a fadiga, a rigidez e o inchaço das articulações e tendões. Estes podem também melhorar os movimentos da coluna e das outras articulações, bem como os sintomas relacionados com as condições associadas, como a psoríase, a uveíte e as doenças inflamatórias do intestino.

Este conteúdo é meramente informativo, sendo o reumatologista quem melhor pode responder a todas as suas questões sobre esta doença.