Publicado a 8 Março, 2021

por Hugo Rodrigues,
Médico Pediatra

1. Porque é o HPV um vírus com que os pais e adolescentes se devem preocupar?

O HPV é um vírus bastante frequente e que afecta ambos os géneros, em diversas idades. Associa-se, tradicionalmente, ao cancro do colo do útero, mas pode causar inúmeras doenças diferentes. Algumas das mais importantes são as seguintes:

  • Cancro da vulva e vagina
  • Cancro do pénis
  • Cancro do ânus
  • Cancros da região da cabeça e pescoço
  • Verrugas (condilomas)

2. Quais as formas de transmissão deste vírus?
É um vírus altamente contagioso e sua transmissão pode ser feita por via sexual, mas também através do contacto directo, pele com pele ou então através de objectos contaminados.

3. Quais as formas de prevenção disponíveis?
A vacinação é uma forma eficaz de prevenir esta infeção. No entanto, a utilização de preservativo e a diminuição do contacto com áreas e/ou objectos contaminados podem também reduzir a transmissão do vírus, embora não sejam completamente eficazes nesse propósito.

4. Porque é importante vacinar as crianças na infância/adolescência?
Idealmente, a vacina deve ser administrada antes dos primeiros contactos íntimos e início da vida sexual, uma vez que é mais eficaz antes de haver contacto com o vírus. No entanto, pode ser administrada mesmo após esse início, porque protege dos contactos posteriores que, como se sabe, são habitualmente muito frequentes a partir da adolescência.

5. Quem está atualmente abrangido pelo Programa Nacional de Vacinação (PNV)?
Actualmente estão abrangidos todas as adolescentes do género feminino (independentemente da data de nascimento) e os adolescentes do género masculino que nasceram após o dia 1 de Janeiro de 2009, inclusive.

6. Qual é atualmente a recomendação da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) para a vacinação de rapazes não abrangidos pelo PNV?
Para os adolescentes do género masculino não abrangidos pelo PNV, a SPP é clara e recomenda a sua vacinação também, sempre que possível, como medida de protecção individual contra esta infecção.

7. Como ter acesso à vacinação fora do PNV?
Após prescrição médica, todos os adolescentes que não estejam incluídos no PNV, podem fazer a aquisição numa farmácia, e a administração no seu Centro de Saúde.

Dr. Hugo Rodrigues, pediatra
Nota: Todos os conteúdos são da responsabilidade do autor

9 perguntas e respostas sobre o Papilomavírus Humano (HPV)
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Publicado a 3 Março, 2021

Q&A: HPV e Pediatria, por Dr. Hugo Rodrigues
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Q&A: Infeção a HPV e doenças associadas, por Prof. Dra. Carmen Lisboa
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Q&A: HPV e Ginecologia Oncológica, por Dr. José Maria Moutinho
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É bastante normal que os pais tenham questões no que concerne ao Papilomavírus Humano (HPV) e a saúde dos seus filhos – talvez a resposta a algumas perguntas frequentes abaixo consiga esclarecer melhor algumas destas questões acerca do vírus.

Se tiver mais dúvidas em relação ao HPV e como pode ajudar a proteger o seu filho contra as doenças e cancros associados, por favor consulte o seu médico.

1. O que é o HPV?

HPV é a sigla inglesa de Papilomavírus Humano, uma família de vírus muito comuns e altamente contagiosos. São conhecidos mais de 180 tipos de HPV, sendo que diferentes tipos podem causar diferentes doenças.

Tanto homens como mulheres podem ser portadores e transmitir o HPV através de contacto “pele-a-pele”. A maioria das pessoas – independentemente do género – já foram expostas ao HPV em algum ponto das suas vidas e na maioria dos casos o vírus desaparece espontaneamente.

2. Que tipo de doenças são provocadas pelo HPV?

Na maioria dos casos, o vírus desaparece espontaneamente; no entanto, se a infeção persistir, as células infetadas podem começar a mudar e, com o tempo e se deixadas sem tratamento, conduzir a certos tipos de doenças e cancros associados ao HPV. A infeção com certos tipos de HPV (particularmente os tipos 16 e 18) pode causar cancro vaginal, da vulva, anal e do colo do útero. Os tipos 6 e 11 de HPV estão ligados ao desenvolvimento de verrugas genitais.

3. Como ocorre uma infeção por HPV?

O HPV é transmitido pelo contacto “pele-a-pele”. Os tipos de HPV que causam cancro do colo do útero, bem como outros cancros anogenitais e verrugas genitais são maioritariamente transmitidos através do contacto sexual.

O HPV infeta uma estimativa de 660 milhões de mulheres e homens em todo o mundo.1 Apesar de alguns tipos de HPV poderem causar verrugas genitais ou lesões anogenitais, uma infeção por HPV pode ser assintomática – assim, muitas pessoas nunca se chegam a aperceber que estão infetadas.

4. O HPV é o mesmo que o HSV (herpes)? E que o HIV?

Não, o HPV é diferente do HIV e do HSV. Diferente do HPV, o HIV (sigla inglesa para o Vírus da Imunodeficiência Humana) é um vírus que ataca e destrói as células T CD4+, que são glóbulos brancos do sangue que defendem o organismo ao procurarem e lutarem contra infeções. Por outro lado, o HSV (sigla inglesa para o Vírus herpes simplex) provoca infeções que causam herpes. O herpes pode surgir em varias partes do corpo, mais vulgarmente na zona genital ou na boca.

5. Quem está em risco de ser infetado pelo HPV?

O HPV é um vírus muito comum que pode afetar tanto homens como mulheres. Estima-se que 75 a 80% das pessoas sexualmente ativas tenham contacto com o vírus em alguma altura das suas vidas. O vírus é facilmente transmitido por contacto “pele-a-pele” e, na maioria dos casos, a infeção provocada pelo HPV desaparece espontaneamente.

6. Como é que o meu filho pode ser infetado pelo HPV?

O HPV é facilmente transmitido por contacto “pele-a-pele”. Os tipos de HPV responsáveis pelo cancro do colo do útero e outros cancros anogenitais e verrugas genitais são mais vulgarmente transmitidos através do contacto sexual.

Tanto mulheres como homens podem ser infetados.

Apesar de a sua criança poder não estar em risco agora, o risco de infeção por HPV aumenta com a idade. Se é pai/mãe e tem preocupações relativamente ao HPV, não hesite em consultar o seu médico; juntos podem falar sobre o HPV e decidir qual é a melhor forma de proteger o seu filho.

7. Como posso saber se tenho HPV?

A infeção pelo HPV é muitas vezes assintomática. Qualquer pessoa pode ser portadora do vírus sem ter conhecimento e transmiti-lo a outros. Na maioria dos casos, a infeção pelo HPV desaparece espontaneamente.

8. Existe alguma cura ou tratamento para o HPV?

Infelizmente, não temos armas terapêuticas que tratem a infeção por HPV. No entanto, existem tratamentos para doenças associadas ao HPV que podem surgir. Fale com o seu médico para perceber como pode prevenir as doenças e cancros associadas a este vírus.

9. Onde posso encontrar informação fidedigna relacionada com a prevenção de doenças e cancros associados ao HPV?

Para obter informação sobre o HPV e como o prevenir, fale com o seu médico sobre como pode proteger-se e ao seu filho de doenças e cancros associados ao HPV.

Saiba mais em hpv.pt

1“Meeting of the Global Advisory Committee on Vaccine Safety, 7-8 June 2017. No. 28, 2017. 92, 393-404 http://www.who.int.wer”

Publicado a 4 Setembro, 2020

Guia para os pais sobre o Rotavírus
Descarregue aqui

1. O que é o Rotavírus?

O rotavírus pertence a uma família de vírus com a forma de roda e é a causa mais frequente de diarreia aguda e vómitos em bebés e crianças pequenas. A nível mundial, estima-se que praticamente todas as crianças até aos 5 anos terão pelo menos um episódio de gastroenterite a rotavírus¹. O rotavírus tem uma elevada prevalência no intestino humano e é excretado nas fezes. Os adultos e algumas crianças podem ser portadores assintomáticos ou com sintomas leves².

duas figuras ilustrativas de crianças tristes

2. Como se contrai o rotavírus?

O vírus é libertado para o ambiente pelas fezes de um bebé, criança ou portador adulto. O rotavírus consegue sobreviver vários dias fora do hospedeiro humano. Isto significa que se uma criança infetada tocar numa superfície ou objeto, como brinquedos, chuchas, rocas, muda-fraldas, etc., essa superfície mantém-se contaminada mesmo após a limpeza e o vírus pode ser transmitido a outras crianças3.

3 figuras ilustrativas de como se transmite o virus

3. Porque é a infeção a rotavírus tão contagiosa?

São necessárias apenas algumas partículas virais para causar infeção. As crianças infetadas chegam a eliminar 100 milhares de milhões de partículas de rotavírus por grama de fezes¹. Esta eliminação começa antes de terem sintomas e pode prolongar-se quando já estão livres de sintomas. Por este motivo é praticamente impossível evitar o contágio. Para além disso o rotavírus mantém-se infecioso por vários dias a semanas em objetos contaminados (brinquedos, chuchas, muda-fraldas, etc.)³


4. O meu bebé é perfeitamente saudável, será que eu me devo preocupar com a infeção a rotavírus?

Não existem fatores de risco que tornem uma criança mais suscetível de contrair uma infeção a rotavírus e o curso da doença é totalmente imprevisível. O quadro clínico pode agravar-se rapidamente, mesmo numa criança saudável. A infeção ocorre independentemente do estado geral de saúde. Aos 5 anos de idade, praticamente todas as crianças já tiveram uma infeção a rotavírus4.


5. O meu bebé frequenta uma creche. Estará em risco de contrair uma infeção a rotavírus?

A infeção a rotavírus transmite-se muito facilmente entre crianças, especialmente quando existe contacto próximo entre elas, como acontece em creches, infantários ou entre irmãos. A infeção a rotavírus é muito prevalente em bebés e em crianças até aos 2 anos de idade que é precisamente o grupo etário que frequenta creches. No entanto, mesmo não frequentando creche, todas as crianças estão em risco de infeção e de ter um caso grave de gastroenterite a rotavírus.


6. Como posso saber se o meu bebé está infetado?

Nos climas temperados como na Europa a epidemia do Rotavírus tem o seu pico nos meses de Inverno (Dezembro a Abril), ocorrendo muitas vezes em simultâneo com outras infeções virais, como a bronquiolite e a gripe. As crianças infetadas por rotavírus têm habitualmente febre baixa, dor abdominal, episódios repetidos de vómitos e diarreia aquosa, que é em geral mais grave que a provocada por outra infeção intestinal comum. Estes sintomas podem durar entre 3 a 8 dias ou prolongar-se por algumas semanas nos casos mais graves2.

Bebe com o virus num fundo rosa

7. Porque é importante proteger o meu bebé contra o rotavírus?

O curso da doença é totalmente imprevisível e o quadro clínico pode agravar-se rapidamente. Crianças pequenas (<2 anos) com diarreia aquosa e vómitos, podem perder líquidos muito rapidamente e ficar desidratadas. A desidratação aguda e grave pode colocar em risco a vida de um bebé. A reidratação oral com soluções de reidratação é fácil de efetuar em casa, mas nem sempre é bem sucedida. Nos casos mais graves pode ser necessário avançar para uma reidratação intravenosa e hospitalização de emergência5.


8. A infeção a rotavírus pode ser prevenida?

As medidas de higiene não são muito eficazes na prevenção da gastroenterite a rotavírus. Apesar disso, boas práticas de higiene e de desinfeção podem limitar a propagação de rotavírus e devem ser aplicadas em casa, creches, infantários ou espaços utilizados por muitas crianças, que são locais de risco elevado para a transmissão3. A infeção a rotavírus pode ser prevenida através da vacinação.

Fale com o seu médico sobra a forma mais eficaz de proteger o seu bebé contra a gastroenterite a rotavírus.


9. Que tipo de vacinas são as vacinas contra o rotavírus?

As vacinas atualmente disponíveis contra o rotavírus são soluções para serem administradas por via oral e não por via injetável.


10. Quando posso vacinar o meu bebé?

A vacina pode ser administrada a partir das 6 semanas de vida (antes disso os bebés amamentados estão protegidos pelos anticorpos da mãe). Recomenda-se a administração da vacina o mais cedo possível, uma vez que o esquema de vacinação consiste na administração de várias doses e deve estar completo antes das 24 ou 32 semanas de vida, dependendo da vacina. De acordo com o Programa Nacional de Vacinação, as vacinas orais, como é o caso das vacinas contra o rotavírus, podem ser administradas por um profissional de saúde simultaneamente com outras vacinas injetáveis, evitando assim deslocações adicionais ao médico ou centro de saúde.

Referências:

1. Dennehy, Penelope; Transmission of rotavirus and other enteric pathogens in the home. The Pediatric Infectious Disease Journal. 2000, 19(10 Suppl):S103-5

2. CDC, Rotavirus – Clinical Information, https://www.cdc.gov/rotavirus/clinical.html, último acesso em 15/07/2020

3. CDC, Rotavirus Transmission, https://www.cdc.gov/rotavirus/about/transmission.html, último acesso em 15/07/2020

4. WHO Postion Paper Rotavirus vaccine Weekly epidemiological record, Feb. 2013 (88):49–64

5. CDC, Rotavirus – Treatment, https://www.cdc.gov/rotavirus/about/treatment.html, último acesso em 15/07/2020