Opinião

Testemunho de doente de CTEPH

por Deolinda Montenegro,
71 anos

Em 2012 comecei a sentir mais cansaço, mas julgava estar relacionada com uma anemia refratária que me havia sido diagnosticada aos 21 anos. No serviço de Hematologia do Centro Hospitalar e Universitário do Porto (CHUP), a resposta era sempre a mesma: a anemia e o passar dos anos eram a razão do meu cansaço.

Sentia-me cada vez mais cansada, com dificuldade em respirar, o que me limitava a fazer minha vida normal. Foi no Serviço Urgência do CHUP que me detetaram embolias pulmonares. Fiquei internada duas semanas, no Serviço de Medicina Interna, e depois encaminhada para o Serviço de Broncoscopia, onde passei a ser seguida pelo Dr. Abílio Reis e a sua equipa.

O meu caso foi estudado durante um ano. Findo esse ano, e uma vez que a medicação não resultava, fui submetida a uma tromboendarterectomia, no Hospital Marie Lannelongue, em Paris. A cirurgia, que demorou 10 horas, foi um sucesso!

No entanto, e apesar de continuar a fazer tratamento para a CTEPH, ainda tenho algumas limitações. Subir escadas, caminhar em ruas com subidas, ou realizar algumas tarefas domésticas.

Devido à COVID-19, passo a maioria em isolamento, em casa, uma vez que sou uma doente de alto risco.

A minha cirurgia acabou por fazer toda a diferença para uma melhor qualidade de vida, pois antes de a fazer, tinha muita dificuldade em respirar, sentia-me muito cansada. Estava muito limitada, não podia fazer certas e determinadas coisas, como as lides domésticas, como tirar a roupa da máquina, ou até mesmo sair do banho. 

Após a cirurgia, parte destas limitações melhoraram bastante. Só não fiquei a 100% devido à anemia que já apresentava. Mas já faço melhor as tarefas domésticas e a saída do banho já não é um problema.

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